MTO, ATO, ETO e MTS: o que são e quais as diferenças

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Letícia GuimarãesLetícia Guimarães

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11 de setembro de 2023

A produção é a parte mais crucial de uma indústria. Por isso, entender os tipos de sistemas produtivos (como MTO, ATO, ETO e MTS) e identificar qual se adapta melhor e faz mais sentido com a proposta da empresa é um requisito muito importante. 

Existem diversos tipos de sistemas produtivos. Os mais comuns são:

  • MTO: Fabricação sob encomenda
  • ATO: Montagem sob encomenda
  • ETO: Engenharia sob encomenda
  • MTS: Fabricação para estoque

Neste artigo, você irá conhecer melhor sobre esses modelos de produção e como identificar a opção ideal para a sua indústria. Continue a leitura para saber mais!

O que é produção?

Antes de entender quais os modelos de produção, é preciso entender o que é produção. 

Nós já temos um artigo completo sobre esse tema, mas vamos fazer um resumo aqui. 

A produção se refere ao processo de criar bens ou serviços, transformando matérias-primas e recursos em produtos acabados. Ela pode ocorrer em várias indústrias e setores, e os métodos de produção variam de acordo com o tipo de produto, a demanda do mercado e os objetivos da empresa. 

Por isso, envolve uma série de atividades, desde o design e a aquisição de materiais até a fabricação, montagem e entrega dos produtos aos clientes. 

Desta forma, o objetivo da produção é criar produtos que atendam às necessidades e às expectativas dos clientes, enquanto otimiza a eficiência, a qualidade e os custos ao longo de todo o processo.

O que e quais são os modelos de produção industrial?

produção-industrial

MTO (Make to Order ou Fabricar sob Encomenda)

O MTO envolve a produção de produtos somente após receber um pedido do cliente. Então, se relaciona à “Produção Customizada” e à “Produção Enxuta”, em que você produz sob medida para atender às especificações do cliente, reduzindo o desperdício de estoque.

Imagine uma empresa que fabrica móveis de madeira sob medida, como mesas e cadeiras. Um cliente faz um pedido específico, escolhendo o tipo de madeira, o acabamento, o design e as dimensões. A empresa então inicia a produção após receber o pedido, garantindo que cada item seja exatamente o que o cliente deseja. Esse é um exemplo clássico de produção sob encomenda.

MTS (Make to Stock ou Fabricar para Estoque)

O MTS envolve a produção de produtos com base em previsões de demanda. Nesse modelo, você fabrica os produtos antes de serem realmente encomendados pelos clientes. Em seguida, os mantém em estoque para atender às necessidades imediatas. Portanto, faz parte da “Produção em Massa” e à “Produção Contínua”, em que você produz em grandes quantidades para atender à demanda prevista.

Um exemplo de produção MTS seria uma empresa de produção de roupas esportivas que produz camisetas em grande quantidade e as mantém em estoque. Os tamanhos e cores são padronizados com base em previsões de demanda e histórico de vendas. Dessa forma, os produtos estão prontos para serem enviados assim que os pedidos são recebidos, já que eles foram previamente fabricados e estocados.

ATO (Assemble to Order ou Montar sob Encomenda)

O ATO se refere à montagem de produtos com base em componentes pré-fabricados, assim que acontece o recebimento de um pedido. Desse modo, trata-se da “Produção Customizada” e da “Produção Enxuta”, onde você monta os produtos de acordo com as especificações do cliente, permitindo uma certa flexibilidade sem a necessidade de produção completa sob medida.

Precisa de um exemplo prático para entender? Uma fabricante de computadores permite que os clientes escolham entre uma variedade de opções de processadores, memória, armazenamento e placas gráficas em seu site. Com base nas escolhas do cliente, a empresa monta o computador, selecionando os componentes específicos. Embora os componentes individuais estejam pré-fabricados, a montagem final ocorre após o pedido ser feito. Essa é uma típica situação de produção Assemble to Order. 

ETO (Engineer to Order ou Projetar sob Encomenda)

O ETO envolve a criação de produtos únicos e com alto grau de personalização, de acordo com os requisitos específicos de cada cliente. Sendo assim, vincula-se à “Produção Customizada”, em que os produtos são projetados e fabricados do zero para atender às necessidades exclusivas de cada cliente. É uma abordagem mais complexa e demorada.

Pense em uma empresa especializada em design e construção de iates de luxo que recebe um pedido de um cliente que deseja um iate personalizado com características específicas, como design interior exclusivo, sistemas de entretenimento avançados e até mesmo um heliponto. O iate é projetado e construído do zero, atendendo às especificações exclusivas do cliente e por isso se enquadra no sistema produtivo ETO. 

Em resumo:

  • Enquanto o MTO enfoca a personalização total, o MTS concentra-se na produção em massa prévia. 
  • O ATO permite uma certa customização com base em opções pré-definidas, e o ETO envolve a criação completa de produtos altamente personalizados desde o início. 
  • A escolha do sistema adequado depende da natureza do produto, das expectativas do cliente e das metas da empresa.

Extra: BTO (Build to Order) e CTO (Configure to Order)

Outros modelos de produção menos aplicados mas que também podem ser opções a se considerar são o BTO (construir sob encomenda, em português) e o CTO (traduzido, configurar sob encomenda). 

O BTO é um tipo de sistema produtivo em que os produtos são montados ou fabricados somente após receber um pedido, mas a customização é mais limitada em comparação com o ETO. Os componentes ou módulos podem ser pré-fabricados, e a montagem final ocorre com base nas especificações do cliente.

Já no CTO, os produtos são configurados a partir de um conjunto de componentes ou opções pré-definidos, de acordo com as preferências do cliente. Isso permite algum nível de personalização sem a necessidade de fabricação totalmente sob medida.

Como identificar o sistema produtivo de uma indústria?

sistema-produtivo

Entender qual modelo de produção se encaixa melhor a sua indústria é uma decisão estratégica muito importante a se fazer. Por isso, requer uma análise cuidadosa de operações, produtos e clientes. 

Para te ajudar nesse processo, separamos algumas dicas essenciais a serem seguidas na hora de identificar o sistema produtivo da sua indústria:

  1. Analise Seus Produtos:

Avalie a natureza dos produtos que você fabrica. Eles são padronizados ou altamente personalizados? Considere a complexidade dos produtos e se eles requerem processos de fabricação especializados.

2. Compreenda a Demanda do Mercado:

Estude o comportamento da demanda. Ela é constante ou flutuante?

Determine se a demanda é previsível ou se você precisa estar preparado para mudanças rápidas nas quantidades solicitadas.

3. Avalie a Flexibilidade:

Pergunte-se se sua indústria precisa se adaptar rapidamente a mudanças nas preferências do cliente ou nos requisitos do mercado e determine se é importante oferecer opções de personalização para atender a diferentes necessidades dos clientes.

4. Analise a Eficiência Operacional:

Considere seus recursos de produção, como mão de obra, equipamentos e tecnologia disponíveis. 

Feito isso, pondere sobre como você pode otimizar a utilização desses recursos para maximizar a eficiência.

5. Examine os Custos:

A análise financeira não pode ficar de fora para evitar desperdícios desnecessários. Calcule os custos associados a cada tipo de sistema produtivo, isso inclui custos de produção, de estoque e de mão de obra.

Depois, compare os custos relativos à produção em massa, customizada e outras abordagens e identifique o que faz mais sentido no seu caso. 

6. Avalie a Qualidade do Produto:

Reflita sobre a importância da consistência e da qualidade em seus produtos. Para o sucesso de qualquer negócio, qualidade precisa ser um tema em constante debate e na hora de determinar um sistema produtivo não pode ser diferente.

Depois de analisar a situação, identifique se há algum modelo de produção específico que permita uma melhor gestão de qualidade. 

7. Conheça seu Público-Alvo:

No final das contas, sua empresa precisa girar em torno de quem realmente importa: os seus clientes!

Por isso, entenda o perfil e suas expectativas em relação a produtos personalizados, prazos de entrega e qualidade. Desse modo, você pode considerar se a abordagem do sistema produtivo pode atender às necessidades e desejos do seu público.

Lembre-se: você não pode tomar decisões importantes sem estudar como seu cliente final será impactado por isso. 

8. Considere a Inovação:

Pense se a sua indústria precisa se manter inovadora e ágil para atender às mudanças do mercado.

Analise como diferentes sistemas produtivos podem permitir a introdução de novos produtos ou melhorias mais facilmente.

9. Pesquise Casos de Sucesso:

Uma boa estratégia para tomadas de decisões assertivas é estudar casos de sucesso para entender os melhores exemplos de indústrias semelhantes que adotaram diferentes sistemas produtivos.

Cada caso é um caso, mas é preciso ter conhecimento prático e de referência para definir o modelo de produção ideal para a sua empresa.

Então, identifique as lições aprendidas e os resultados alcançados pelas empresas analisadas, inclusive seus fracassos. Você pode aprender com erros já cometidos pelas outras indústrias. 

10. Teste e Adapte:

Se possível, considere testar diferentes abordagens em projetos-piloto para avaliar qual funciona melhor para sua indústria.

Esteja disposto a ajustar e adaptar sua estratégia com base nos resultados e no feedback.

Lembre-se de que a escolha do sistema produtivo é uma decisão estratégica importante e pode não ser definitiva. À medida que sua indústria evolui e as demandas mudam, pode ser necessário reavaliar e ajustar sua abordagem de produção para manter a competitividade.

Continue aprendendo sobre gestão da produção!

Outro passo fundamental para a sua indústria continuar crescendo é você estudar muito sobre gestão da produção.

O Blog Korp está repleto de artigos que te ajudam a aprender sobre os principais conceitos da área e a gerir o seu negócio com excelência. Continue lendo estes conteúdos:

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Letícia Guimarães é professora, publicitária e mestre em Comunicação (UFPR).

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