Inovação aberta: veja o que é e os principais exemplos

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Letícia GuimarãesLetícia Guimarães

ATUALIZADO EM:

27 de Fevereiro de 2024

A inovação aberta permite o compartilhamento de conhecimento entre diferentes organizações. Por isso, é uma ferramenta para a criação de um mercado mais colaborativo.

Afinal, é impossível deter todo o conhecimento dentro de um só negócio. Isso é completamente normal.

Mas podemos dar um passo à frente compartilhando conhecimento com outras iniciativas que possuem propósitos parecidos. De um lado, para aumentar a competitividade no mercado e, de outro, para desenvolver uma cultura de melhoria contínua.

Neste artigo, vamos explicar o que é a inovação aberta e como implementá-la em um negócio. Além disso, vamos apresentar os principais exemplos dessa iniciativa. Continue a leitura para saber mais!

O que é inovação aberta?

A inovação aberta é um modelo de gestão que se volta a incentivar a inovação por meio da colaboração com pessoas e organizações de fora da empresa. Então, envolve romper com a “mentalidade de silo”, ou seja, a tendência de isolar diferentes departamentos, com pouca comunicação entre si.

Isso acaba significando romper com a ideia de sigilo na indústria corporativa e representa uma ruptura cultural no ambiente empresarial

O termo “open innovation” nasceu na Universidade de Berkeley. O professor Henry Chesbrough, ex-gerente de uma empresa no Vale do Silício, cunhou o termo, com o objetivo de reduzir a distância entre teoria e prática no mundo corporativo.

Segundo Chesbrough, as empresas ainda tinham um modelo de inovação fechado, apesar de a informação se disseminar cada vez mais rapidamente. Então, ele coloca em questão a possibilidade da adoção de um sistema de inovação mais descentralizado e focado na colaboração.

O autor parte da ideia de que a inovação aberta é uma abordagem mais participativa, a partir do entendimento de que o conhecimento está distribuído e nenhuma empresa pode inovar de forma efetiva por conta própria. Sendo assim, trata-se de reconhecer que existem equipes com maior conhecimento fora da sua estrutura.

De acordo com Chesbrough, essa também pode ser uma forma mais lucrativa de inovar, devido à redução de custos e aceleração da criação de novos fluxos de receita para o negócio.

Como a inovação aberta funciona?

inovação-aberta

A inovação aberta pode funcionar de formas diversas, por exemplo, por meio de alianças entre empresas, parcerias para pesquisas em universidades, competições de crowdsourcing e em ecossistemas de inovação.

Em resumo, podemos dizer que é a inversão em relação à inovação tradicional, em que as empresas pesquisam e compartilham informações apenas internamente.

De modo contrário, a inovação aberta parte de dois princípios:

  • De fora para dentro: trazer tecnologias de fora da empresa para incorporá-las ao processo de inovação.
  • De dentro para fora: a empresa compartilha suas ideias e tecnologias com terceiros.

De qualquer modo, Chesbrough afirma que cada modelo de negócios vai definir as informações que precisa buscar ou pode deixar sair da empresa. Portanto, não é necessário compartilhar todas as suas informações.

Quais são os tipos de inovação aberta?

Sabia que existem três modalidades de inovação aberta? Veja cada uma delas!

Inbound

No processo de inbound, a empresa busca explorar e integrar o conhecimento externo para melhorar as suas próprias tecnologias.

Ou seja, envolve a aquisição de tecnologia externa por meio da exploração aberta.

Essas atividades podem ser a cooperação entre organizações, universidades, clientes, usuários e parceiros do ecossistema de inovação.

Outbound

A modalidade outbound consiste em transferir tecnologias para corporações externas. Desse modo, a empresa busca gerar receita com a sua propriedade intelectual.

Neste caso, terceiros podem participar de iniciativas em desenvolvimento ou colaborar na criação de novas tecnologias e produtos. Isso pode acontecer na concessão de licenças ou na venda de patentes, por exemplo.

Coupled

A modalidade coupled combina atividades de inbound e outbound em uma mesma empresa. Então, ela busca novas ideias assim como comercializa conhecimento a outros negócios.

Quais são as vantagens da inovação aberta?

A inovação aberta traz inúmeras vantagens para empresas que desejam apostar nesse modelo disruptivo. Um estudo da PwC, com empresas relevantes na inovação, demonstrou que 61% delas estão se adaptando à inovação aberta. Veja alguns benefícios desse modelo!

Redução de custos

Ao investir nesse modelo de gestão, a empresa reduz custos com um setor de inovação, pois agrega a visão de pessoas de fora da empresa. Assim, garante mais tempo para focar na otimização dos processos, aumentando a produtividade do negócio.

Um exemplo disso é a estratégia Connect & Develop, da multinacional P&G, que iniciou em 2000. A corporação lançou o objetivo de que 50% das inovações acontecessem externamente para a empresa reduzir custos e ampliar a cultura de inovação. Em 2007, a meta foi batida gerando um aumento de 85% na produtividade do setor de pesquisa e desenvolvimento.

Agilidade na atualização de produtos e serviços

Também é possível aumentar a velocidade de possíveis aprimoramentos nos produtos. Quando o assunto envolve tecnologia, é necessário se atentar às mudanças no mercado e novas demandas que surgem a todo instante. 

Facilidade para gerenciar lançamentos

Ao investir em inovação, a empresa pode contar com a colaboração externa para agilizar o lançamento de novos produtos. Isso acontece porque a empresa não precisa para toda a sua equipe para analisar tudo do zero, uma vez que especialistas de outras organizações compartilham seus conhecimentos no desenvolvimento.

Aumento do valor da marca

A inovação aberta também pode ser um instrumento para o posicionamento da sua empresa no mercado. Com o modelo de gestão, é possível melhorar o relacionamento com parceiros de mercado, elevando o alcance da marca.

Escuta dos usuários finais

Outro benefício é a escuta dos usuários finais, trazendo o olhar dos consumidores para a organização.  Um exemplo disso foi o Prêmio Netflix, um desafio lançado pela empresa em 2006, para que o público encontrasse um algoritmo que melhorasse a sugestão de filmes e séries ao público. Na época, a empresa ainda trabalhava com aluguel de DVDs e estava oferecendo um prêmio de US$1 milhão. A Netflix contou com mais de 40 mil empresas participantes e, no final, a empresa implementou a criação da equipe vice-campeã.

Como as empresas podem aplicar a inovação aberta?

Para implementar a inovação aberta, é necessário definir os objetivos e estratégias para alcançá-los. Conheça algumas atividades para aplicar o conceito na sua empresa:

  • Hackathons: maratonas que envolvem profissionais de diferentes áreas para achar soluções para problemas de tecnologia. Podem durar um dia ou um fim de semana, tendo uma comissão julgadora para escolher as melhores propostas.
  • Participação em eventos com startups: comparecer em eventos com outros negócios ajuda a entender o que há de novo no mercado e as tendências no seu setor.
  • Parcerias com clientes e fornecedores: a análise de dados deixados por clientes em canais digitais, além da criação de comunidades que permitem a coleta de depoimentos de quem lida com seu produto, são estratégias para fomentar a inovação.
  • Crowdsourcing: processo em que se formam times com pessoas de fora da sua empresa para desenvolver algo específico. Sendo assim, pode ter uma pessoa do seu negócio, uma da universidade e até um representante do cliente para criar um time ideal para aquela solução.

Continue aprendendo sobre tecnologia

A inovação aberta combina com uma série de outras ferramentas de tecnologia que podem otimizar a produtividade do seu negócio.

Para continuar aprendendo sobre diferentes técnicas e soluções, continue lendo o blog Korp:

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Letícia Guimarães é professora, publicitária e mestre em Comunicação (UFPR).

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