Capacidade ociosa: entenda a importância para a gestão

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Letícia GuimarãesLetícia Guimarães

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30 de outubro de 2023

A capacidade ociosa desempenha um papel crucial na eficiência operacional e estratégica das organizações. Dessa forma, ela é uma forma de mensurar a atividade econômica da indústria, analisando a capacidade total da organização e a produção entregue.

Exploraremos a definição desse conceito, a avaliação por meio de métricas e estratégias eficazes para sua gestão. Vamos lá?

O que é capacidade ociosa?

A capacidade ociosa refere-se à subutilização dos recursos disponíveis em uma organização. Desse modo, engloba diversos setores, como produção, pessoal e equipamentos. Em termos simples, é a diferença entre a capacidade máxima de produção ou utilização e a produção real. 

Sendo assim, pode se tratar de uma fábrica com máquinas que não estão operando em plena capacidade ou uma equipe de funcionários que não está envolvida durante todo o expediente.

A subutilização pode ser tanto um desperdício potencial quanto uma estratégia deliberada para enfrentar flutuações na demanda. Apesar de a capacidade ociosa estar comumente associada ao desperdício, em alguns casos, ela pode ser uma estratégia para a empresa se adaptar rapidamente às flutuações no mercado. Assim, evitam-se custos adicionais com a contratação de pessoal e expansão de instalações.

A capacidade ociosa proporciona flexibilidade às organizações. Em um ambiente de negócios cada vez mais volátil, a capacidade de se adaptar rapidamente a mudanças nas condições do mercado é fundamental. 

Portanto, manter uma certa capacidade ociosa permite que as empresas respondam de maneira ágil a picos de demanda ou a mudanças nas preferências do consumidor.

Porém, em outros casos, a gestão eficaz da capacidade ociosa pode levar a uma significativa redução de custos. Ao identificar áreas de subutilização de recursos, as organizações podem implementar estratégias para otimizar a eficiência operacional. Isso pode incluir a reorganização de processos, o treinamento de funcionários para realizar múltiplas tarefas e o uso mais eficiente de equipamentos.

Apesar dos benefícios potenciais, a gestão da capacidade ociosa não é isenta de desafios. Um dos principais desafios é encontrar o equilíbrio certo. Manter uma capacidade ociosa muito alta pode resultar em custos fixos desnecessários, enquanto uma capacidade ociosa muito baixa pode levar à incapacidade de atender a picos de demanda.

Quais são os outros tipos de capacidade na indústria?

Existem três tipos de capacidade produtiva nas fábricas: capacidade teórica, capacidade produtiva e capacidade ociosa.

A capacidade teórica representa o máximo de produção que uma empresa pode alcançar em condições ideais. Dessa forma, envolve uma avaliação na qual não há perdas ou falhas de equipamentos, ausência de erros humanos, nenhum dia de folga e a operação contínua e perfeita. Portanto, este é um modelo teórico, pois pressupõe o funcionamento ininterrupto da empresa, o tempo todo, em um processo contínuo e ideal.

Entretanto, esse cenário é, na prática, um ideal inatingível. A capacidade teórica serve principalmente como um ponto de referência para determinar o máximo teórico de produção.

Nesse contexto, entra em cena a capacidade produtiva, que representa um modelo realista da quantidade de produção possível. Esse tipo de capacidade ajusta a capacidade teórica para acomodar eventos recorrentes, tais como períodos de inatividade de máquinas, variações nas habilidades dos funcionários e fechamento da fábrica em feriados, entre outros.

Como calcular a capacidade ociosa?

capacidade-ociosa

Para entender a ociosidade da indústria, é possível visualizá-la em termos percentuais, sendo um cálculo utilizado para determinar a diferença ao longo de um período específico.

A regra é aplicada da seguinte forma: (horas registradas – horas efetivamente trabalhadas) multiplicadas pela taxa de aplicação de despesas gerais de fábrica.

A taxa de aplicação de despesas gerais de fábrica incorpora ao cálculo diversos elementos, tais como:

  • Trabalho direto;
  • Trabalho indireto;
  • Recursos indiretos;
  • Suprimentos e materiais;
  • Consumo de eletricidade;
  • Custos de reparos;
  • Manutenção industrial;
  • Custos de seguro;
  • Desgaste de maquinário, entre outros fatores.

Como gerir a capacidade ociosa?

A gestão eficaz da capacidade ociosa é um desafio que demanda estratégias específicas:

  • Planejamento Estratégico: antecipar flutuações na demanda e ajustar a capacidade é essencial. Isso pode envolver a implementação de planos de contingência ou estratégias para rápida expansão em momentos de pico.
  • Treinamento e Desenvolvimento: Investir na capacitação dos colaboradores para desempenhar múltiplas funções pode otimizar a utilização de recursos humanos, reduzindo a capacidade ociosa.
  • Manutenção Preventiva: Programar manutenções durante períodos de menor demanda evita interrupções em momentos críticos e otimiza a eficiência operacional.
  • Automatização: Incorporar tecnologias automatizadas pode reduzir a dependência de mão de obra e ajustar rapidamente a produção às demandas do mercado.
  • Integração com o ERP: a adoção de um software de gestão pode integrar todos os setores da indústria em um único lugar, garantindo um controle mais eficiente por parte dos gestores.

Diferentes segmentos podem se beneficiar da gestão da capacidade ociosa. Um exemplo prático pode ser observado na indústria automotiva. Muitas fábricas de automóveis mantêm uma certa capacidade ociosa para responder a mudanças na demanda e às flutuações sazonais. Durante períodos de baixa demanda, ela é utilizada para realizar manutenção preventiva, treinamento de funcionários e outras atividades que melhoram a eficiência operacional. Quando a demanda aumenta, a capacidade ociosa pode ser rapidamente mobilizada para atender à necessidade do mercado.

Outro caso é o da indústria de tecnologia, em que a capacidade ociosa pode ser analisada por meio de métricas específicas. Por exemplo, a taxa de utilização de servidores e a eficiência no processamento de dados são fundamentais. Empresas que adotam estratégias proativas, como a virtualização de servidores para ajustar a capacidade de acordo com a demanda, demonstram uma abordagem eficaz na gestão da produção. Assim, é possível aplicar princípios da indústria 4.0 ao gerenciamento do negócio.

Como melhorar a gestão da produção com o ERP?

Em resumo, a capacidade ociosa, quando entendida e gerida adequadamente, pode se transformar em um recurso estratégico para as organizações. Por meio da avaliação de métricas e da gestão eficiente é possível evitar desperdícios e se posicionar competitivamente no mercado.

Por isso, um ERP é uma ferramenta essencial para indústrias que desejam crescer. Com a tecnologia, você pode agilizar a tomada de decisão com base em dados, adaptando-se às necessidades do seu negócio.

Além disso, a ferramenta permite a automatização de tarefas mecânicas, reduzindo erros e permitindo que a sua equipe foque no que realmente importa.

Entenda o potencial do ERP para impulsionar seus resultados nestes artigos:

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Letícia Guimarães é professora, publicitária e mestre em Comunicação (UFPR).

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