Reforma tributária: o que significa para a indústria?

PUBLICADO POR:

Letícia GuimarãesLetícia Guimarães

ATUALIZADO EM:

17 de Outubro de 2023

O Brasil enfrenta desafios em relação ao seu complexo sistema tributário, que se caracteriza pela multiplicidade de impostos e pela alta carga tributária. 

Diante dessa realidade, surgiu a proposta de uma Reforma Tributária abrangente, visando simplificar o sistema, torná-lo mais transparente e, por conseguinte, impulsionar o crescimento econômico. 

Neste artigo, vamos explicar o que é a reforma e seus principais impactos, principalmente, no setor industrial. Vamos lá?

O que é a reforma tributária?

A Reforma Tributária no Brasil é uma necessidade decorrente da dificuldade de gerenciar os diferentes impostos exigidos pela atual legislação.

O sistema tributário atual é notoriamente complexo, com diversos impostos federais, estaduais e municipais que geram uma carga tributária elevada. A complexidade do sistema cria desafios para as empresas, aumenta os custos e dificulta a compreensão pelos cidadãos. A reforma visa simplificar esse cenário, tornando-o mais eficiente e amigável para os negócios.

Quais são os objetivos da Reforma Tributária?

A Reforma Tributária no Brasil possui vários objetivos. Em primeiro lugar, busca-se a simplificação do sistema, consolidando diversos tributos em um único imposto sobre bens e serviços. Desse modo, visa reduzir a burocracia e os custos associados ao cumprimento das obrigações fiscais. Além disso, há uma busca por maior transparência, tornando o sistema tributário mais compreensível para a população em geral. Outro objetivo crucial é estimular a economia, atraindo investimentos e promovendo um ambiente de negócios mais favorável.

Primeira Fase da Reforma Tributária

A primeira fase da Reforma Tributária foi aprovada pela Câmara dos Deputados em julho de 2023. Ela representa um marco significativo nesse processo. Essa fase concentra-se na tributação sobre o consumo, propondo a criação do Imposto sobre Operações com Bens e Serviços (IBS) e a unificação de diversos tributos federais, como PIS, Cofins e IPI. 

A mudança visa simplificar substancialmente o sistema tributário brasileiro, eliminando sobreposições e redundâncias.

A proposta também estabelece alíquotas padrão e diferenciadas, com exceções para alguns setores e isenções para itens essenciais, como cesta básica, medicamentos e livros. Essa abordagem visa equilibrar a necessidade de arrecadação com a proteção dos consumidores e a promoção de setores considerados estratégicos.

Quais são os impactos da reforma tributária na indústria?

A indústria brasileira, que desempenha um papel fundamental na economia do país, é fortemente impactada pela reforma tributária.

Uma das mudanças mais significativas é a extinção de cinco tributos, representando quase 38% da arrecadação em 2021. A criação da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) substituindo PIS, Cofins e IPI tem o potencial de simplificar a tributação sobre a produção industrial, garantindo mais transparência.

O novo modelo busca eliminar as distorções causadas por diferentes tratamentos tributários para setores específicos. Além disso, a criação do Fundo de Desenvolvimento Regional é uma tentativa de promover a equidade, financiando projetos em estados mais pobres e contribuindo para a redução das disparidades regionais.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), alguns efeitos esperados são:

  • Fim da guerra fiscal, reduzindo o imposto para atrair fábricas.
  • Crescimento econômico, por meio da criação do IBS, que simplifica o sistema.
  • Desoneração das exportações, uma vez que o imposto é apenas cobrado no consumo.
  • Segurança jurídica, através da queda da diferenciação entre produtos e serviços.
  • Transparência com o consumidor.

Como é a carga tributária atual no Brasil?

A carga tributária no Brasil atingiu um recorde em 2022, atingindo 33,71%, de acordo com dados do Tesouro Nacional. Devido a tais valores elevados, as empresas brasileiras dedicam uma boa parte dos seus lucros para pagar tributos, limitando a capacidade de investimento e competitividade no mercado internacional.

O custo tributário é frequentemente citado como um dos principais entraves ao crescimento econômico. Anualmente, o setor produtivo brasileiro destina cerca de R$ 1,7 trilhão para o pagamento de tributos, representando aproximadamente 19,5% do PIB nacional. Essa realidade cria um ambiente desafiador para as empresas, tornando a Reforma Tributária uma necessidade premente.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem avaliado positivamente as propostas da Reforma Tributária, reconhecendo seu potencial para simplificar o sistema e estimular a atividade econômica. Portanto, a unificação de tributos sobre o consumo é vista como uma medida que pode reduzir a carga tributária para as empresas, melhorar a competitividade e atrair mais investimentos estrangeiros.

No entanto, é fundamental que a implementação da reforma seja feita de maneira cuidadosa e gradual. Afinal, essas mudanças podem gerar incertezas e impactos negativos sobre setores específicos. Por isso, a adoção de medidas de transição e a comunicação efetiva com os setores afetados são cruciais para garantir uma implementação bem-sucedida.

Quais são as vantagens e desvantagens da reforma tributária?

O sistema tributário tem um papel fundamental na alocação de recursos, na competitividade das empresas e no estímulo ao investimento. Sendo assim, a unificação de tributos sobre o consumo pode simplificar a vida das empresas, reduzir a sonegação fiscal e atrair mais investimentos estrangeiros.

Ao promover um ambiente de negócios mais favorável, a reforma tem o potencial de impulsionar o crescimento econômico. O aumento da eficiência na arrecadação e a redução da complexidade tributária podem incentivar a formalização de empresas informais, contribuindo para a regularização do mercado e o combate à sonegação.

Apesar dos benefícios potenciais, a Reforma Tributária também possui algumas desvantagens. A descentralização da arrecadação, com a participação de estados e municípios na gestão do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS),é uma mudança estrutural que exige coordenação entre as esferas de governo. 

Além disso, a transição para um novo sistema tributário pode criar incertezas para as empresas. A adaptação a novos processos, a compreensão das mudanças nas obrigações fiscais e a eventual reestruturação interna para se adequar ao novo cenário são desafios que as empresas enfrentarão durante o período de transição.

Continue aprendendo sobre tributação na indústria

A Reforma Tributária no Brasil representa uma alternativa para lidar com as deficiências estruturais de um sistema tributário complexo. Dessa forma, é importante se atentar e acompanhar as novidades e mudanças que acompanham a tributação na indústria.

Para continuar aprendendo sobre a gestão fiscal no setor industrial, leia o blog Korp:

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Letícia Guimarães é professora, publicitária e mestre em Comunicação (UFPR).

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