Capital de giro: entenda o que é e como controlar

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Letícia GuimarãesLetícia Guimarães

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12 de maio de 2023

É comum empresas passarem por momentos em que gastam mais do que ganham. Mas vale mencionar que isso não precisa ser tão preocupante quando você tem dinheiro para manter o negócio rodando e pagar as contas enquanto não recebe. É para isto que existe o capital de giro.

O capital de giro é um valor que faz parte da sua reserva para cumprir com as suas obrigações financeiras em um período determinado. Apesar de parecer um conceito simples, você precisa levar em consideração fatores além das suas despesas, como os ativos e passivos do negócio.

Se você não entende muito do tema e precisa planejar o seu capital de giro, continue lendo este artigo e aprenda a gerenciar as suas finanças com eficiência. Vamos abordar o que ele é e como calculá-lo. Vamos lá?

O que é capital de giro?

O capital de giro é a reserva da empresa para manter as operações funcionando até a entrada de receitas. Ou seja, trata-se da diferença entre os recursos disponíveis em caixa e as contas que você precisa pagar. O cálculo desse valor depende do segmento do seu negócio e dos custos que você possui.

Um exemplo simples é o caso de uma fábrica de roupas, que precisa pagar embalagens, fornecedores, equipamentos, entre outros custos. Se o negócio precisa de R$1.000 para funcionar todo mês, ele precisa ter esse valor em caixa, tendo recebido ou não de seus clientes.

Sendo assim, com o capital de giro, é possível pagar as contas todo mês, mesmo que as despesas superem a receita da empresa. Portanto, trata-se de uma estratégia para manter a saúde financeira da organização.

Além disso, vale lembrar que, em meio às movimentações financeiras, você vai lidar com recursos ativos (que entram) e passivos (que saem). Mas, quando você possui o capital de giro, não precisa se preocupar tanto com os momentos em que as receitas são inferiores às despesas. Assim, você mantém um equilíbrio entre ativos e passivos.

Algumas receitas levam tempo para entrar no seu negócio. Desse modo, ficar esperando a concretização da venda para, então, ter o dinheiro, pode ser muito imprudente. Construir um capital de giro robusto vai fornecer segurança ao seu negócio e favorecer preços mais competitivos ao negociar suprimentos em maior quantidade, por exemplo.

Sendo assim, o capital de giro serve para garantir a saúde financeira das empresas, proporcionando recursos de financiamentos a clientes, manutenção de estoques, garantia de pagamentos aos fornecedores, além do pagamento de salários, impostos e demais custos da empresa.

Se você ainda não entendeu o conceito, veja este vídeo do Sebrae SP sobre o tema!

Capital de giro líquido

Trata-se do montante de recursos financeiros, exceto ativos não circulantes, como bens e imóveis. Isso porque não representam quantias disponíveis para uso. Desse modo, podemos dizer que o capital de giro líquido considera a liquidez, sendo a quantia exata disponível para manter o seu negócio.

Capital de giro negativo

O capital de giro negativo indica que não é possível quitar todos os débitos com os recursos disponíveis. Dessa forma, a empresa está gastando mais do que recebe. Isso pode acontecer por períodos curtos de tempo ou quando o negócio ainda está começando. Entretanto, torna-se um mau sinal após um longo período, pois pode levar a organização a recorrer a fontes externas, como empréstimos. 

Capital de giro próprio

O capital de giro próprio corresponde ao dinheiro que a empresa possui, sem a necessidade de empréstimo. Sendo assim, trata-se da diferença positiva entre o ativo circulante e o passivo circulante.

Capital de giro associado a investimentos

Como o nome sugere, esse tipo une o capital de giro a investimentos. Então, o capital cobre despesas que o negócio terá ao investir. Por exemplo, ao financiar equipamentos, também precisará do capital de giro para outras compras, como matérias-primas. 

Diferença entre fluxo de caixa e capital de giro

Muitas pessoas costumam confundir os termos, mas tratam-se de conceitos bem diferentes. O fluxo de caixa é a maneira que o dinheiro é gerenciado, tendo em vista as entradas e saídas. Se a empresa receber mais do que pagou, o fluxo de caixa é positivo. Se pagar mais do que receber, ele fica negativo. O capital de giro, por sua vez, é o valor disponível para uso por meio da diferença entre entrada e saída.

Por que é necessário ter um capital de giro?

capital de giro

 

É necessário ter uma base financeira para sustentar o seu negócio e, por isso, o capital de giro é tão importante. Desse modo, é importante possuir um capital inicial não apenas no sentido de pagar a estrutura e o pessoal, mas também ter reserva para as suas operações.

Apesar de a lógica do empreendedorismo ser investir primeiro para ter lucro depois, esse plano só vai se concretizar se houver capital disponível. Assim, você paga as despesas e também consegue realizar outras medidas, como vendas a prazo.

Há várias vantagens em ter o capital de giro. Com reserva suficiente, a empresa supera déficits temporários. Além disso, com facilidades de pagamento, as vendas também aumentam. 

Outro ponto positivo é a capacidade de aproveitar as sazonalidades do seu segmento para antecipar investimento e conseguir preços mais competitivos.

Como você pode perceber, sem essa reserva as operações ficam comprometidas e você deixa de aproveitar boas oportunidades por falta de recursos.

Como calcular o capital de giro?

Todo empreendedor precisa calcular essa reserva financeira, para saber exatamente quanto é preciso ter de reserva. Esse valor varia conforme o ciclo de recebimento da empresa. Então, quanto maior for o prazo, você precisa ter mais dinheiro em caixa.

Primeiramente, faça o levantamento e a separação dos custos fixos, como a folha de pagamento, aluguel, luz, água e internet. Tendo o valor total, você precisa entender quanto precisa vender para que essas contas sejam quitadas e permitam geração de lucro. Neste caso, vale usar a margem de contribuição.

Sendo assim, você pode calcular o capital de giro da seguinte forma:

Capital de Giro Líquido (CGL) = Ativos Circulantes (AC) – Passivos Circulantes

Para ficar mais claro, vamos usar uma empresa que possui o seguinte cenário no fim do mês:

  • Ativos circulantes: R$ 1.000 em caixa, R$ 3.000 no banco, R$ 30.000 em contas a receber e R$5.000 em estoque.
  • Passivos circulantes: R$ 6.000 para pagar fornecedores, R$ 800 de aluguel, R$ 400 de contas de consumo, R$ 500 de impostos e R$ 10.000 de folha de pagamento.

Aplicando a fórmula, teríamos este cálculo:

R$ 39.000 – R$ 17.700 = R$ 21.300.

Portanto, é necessário ter R$ 21.300 para garantir que todos os compromissos financeiros sejam cumpridos todo mês. Dessa forma, é possível operar com folga e financiar todas as atividades.

Como controlar o capital de giro?

Para 65% dos executivos entrevistados na pesquisa Working Capital Study, de 2022, melhorar a gestão de capital de risco é uma prioridade.

Para começar, você precisa ter em mente que há períodos em que se vende mais e outros menos. Portanto, gerenciar o capital de giro muitas vezes pode ser um ponto crítico para o negócio.

Utilizando o exemplo anterior, vamos supor que a empresa manteve a reserva de R$ 21.300 durante três meses, mas, em seguida, teve uma redução significativa nas vendas. Nesse sentido, também é necessário construir ações de contenção de gastos para não perder a sua reserva.

Por isso, você deve ir além do cálculo da sobra de cada mês e reavaliar as despesas de forma contínua para garantir a margem do ciclo de giro. Veja algumas estratégias:

  • Renegociar juros cobrados por empréstimos;
  • Garantir que contas a prazo estão sendo pagas;
  • Evitar o acúmulo de estoque;
  • Revisar contratos anualmente;
  • Contar com um ERP para centralizar informações financeiras.

Agora que você já viu a importância de gerenciar o capital de giro do seu negócio, aprenda também outros temas fundamentais para a gestão financeira do seu negócio:

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Letícia Guimarães é professora, publicitária e mestre em Comunicação (UFPR).

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