Metodologia Scrum: Guia Completo

PUBLICADO POR:

Giovanna CipulloGiovanna Cipullo

ATUALIZADO EM:

18 de Junho de 2024

Você já se pegou pensando em como seria bom concluir projetos complexos com mais rapidez e menos dor de cabeça? Se a resposta é sim, então você precisa conhecer a metodologia Scrum.

Imagine um time de rugby, onde todos os jogadores se reúnem rapidamente antes de cada jogada para alinhar estratégias. Agora, transporte essa dinâmica para o ambiente corporativo. Pronto, você tem o Scrum!

Neste Guia Completo de Scrum, você verá:

  • O que é Scrum e para que serve?
  • Metodologias ágeis
  • Princípios do Scrum
  • Elementos por trás do Scrum
  • Scrum aplicado a diferentes segmentos
  • Passo a passo para aplicar o Scrum na gestão
  • Cerimônias Scrum
  • Por que Scrum é importante?
  • Onde o Scrum é aplicável?
  • Cases de sucesso
  • Métricas e monitoramento

O que é Scrum e para que serve?

metodologia scrum

Scrum é uma metodologia ágil que nasceu para revolucionar a gestão de projetos. Criada por Ken Schwaber e Jeff Sutherland, a ideia é simples: dividir um grande projeto em pequenas partes, chamadas de sprints, que geralmente duram de duas a quatro semanas. Assim, cada sprint é como uma mini-missão, com objetivos claros e prazos definidos. O resultado? Mais agilidade, menos desperdício de recursos e, claro, menos estresse para todo mundo.

Metodologias ágeis e o Scrum

Primeiramente, não dá para falar de Scrum sem contextualizar as metodologias ágeis.

As metodologias ágeis são um conjunto de práticas e princípios que promovem o desenvolvimento iterativo e incremental de projetos, priorizando a adaptação rápida a mudanças, a colaboração constante com os clientes e a entrega frequente de pequenos incrementos de produto. Baseadas no Manifesto Ágil, elas enfatizam quatro valores principais:

  1. Indivíduos e interações mais que processos e ferramentas.
  2. Software funcionando mais que documentação abrangente.
  3. Colaboração com o cliente mais que negociação de contratos.
  4. Responder a mudanças mais que seguir um plano.

Esses valores são suportados por doze princípios que guiam a execução de projetos ágeis, promovendo a eficiência e a eficácia no desenvolvimento de produtos.

Além do Scrum, existem outras metodologias ágeis que complementam esse ecossistema, como o Kanban, Lean, Extreme Programming (XP) e outros. Por isso, se você quer mergulhar no mundo das metodologias ágeis, é essencial se aprofundar no Scrum e entender mais sobre as demais ferramentas. 

💡 Leia aqui um conteúdo completo sobre Metodologias Ágeis!

Princípios fundamentais do Scrum

Os princípios fundamentais do Scrum formam a base dessa metodologia ágil, garantindo que as equipes possam entregar valor de maneira contínua e adaptável. Eles são:

  1. Transparência: Todos os aspectos significativos do processo devem ser visíveis para aqueles responsáveis pelo resultado. Isso inclui artefatos visíveis como o Product Backlog, Sprint Backlog e Burndown Chart, permitindo que todos acompanhem o progresso e tomem decisões informadas.
  2. Inspeção: Scrum promove a inspeção frequente dos artefatos e do progresso para detectar variações indesejáveis. Isso é feito através de cerimônias regulares como o Sprint Review e Daily Scrum, garantindo que o projeto está no caminho certo.
  3. Adaptação: Se os aspectos do processo desviam além dos limites aceitáveis, o processo ou os materiais sendo produzidos devem ser ajustados. A adaptação é realizada nas retrospectivas e através de ajustes contínuos durante os sprints para melhorar a eficiência e eficácia.

Elementos por trás do Scrum

Antes de entender como aplicar essa metodologia, você precisa entender as peças por trás do seu funcionamento. Afinal, nós sabemos que entender todo o vocabulário técnico pode ser um desafio. 

Product Owner

Este é o responsável por definir a visão do projeto e priorizar o trabalho da equipe de desenvolvimento. Sendo assim, o Product Owner deve ter uma compreensão clara do mercado, dos clientes e do produto para tomar decisões informadas.

Equipe de desenvolvimento

Uma equipe de desenvolvimento Scrum é autogerenciada e multidisciplinar, composta por profissionais que realizam o trabalho de entregar uma versão potencialmente entregável do produto no final de cada sprint.

Scrum Master

Este é o facilitador e o coach da equipe Scrum. Ou seja, o Scrum Master ajuda a equipe a seguir a metodologia Scrum, facilita as cerimônias do Scrum e ajuda a remover os obstáculos que a equipe pode encontrar.

Sprints

Estes são os ciclos de trabalho nos quais o trabalho é realmente realizado. Cada sprint dura de duas a quatro semanas e termina com uma revisão e uma retrospectiva para preparar o próximo sprint.

Product backlog

Esta é uma lista ordenada de tudo que é necessário no produto, gerida pelo Product Owner. Ele evolui continuamente e é a única fonte de requisitos para as mudanças a serem feitas no produto.

Sprint Backlog

É um conjunto de itens do Product Backlog selecionados para o sprint, juntamente com um plano para entregar o incremento. É gerido pela equipe de desenvolvimento e fornece uma visão detalhada do trabalho a ser feito durante o sprint.

Increment

A soma de todos os itens do Product Backlog completados durante o sprint e todos os sprints anteriores. O incremento deve estar em estado utilizável e atender à definição de “Pronto” da equipe Scrum.

Ferramentas de gerenciamento de projetos

Ferramentas como Jira, Trello, Asana, entre outras, podem ser muito úteis para acompanhar o progresso do projeto, gerenciar o backlog e facilitar a comunicação da equipe.

Reuniões diárias de Scrum (Daily Scrum)

Estas são reuniões curtas realizadas diariamente para a equipe sincronizar suas atividades e planejar o trabalho do dia.

Scrum aplicado a diferentes segmentos

A essência do Scrum é a criação de um ambiente de trabalho iterativo e incremental, que promove a colaboração, a adaptabilidade e a entrega contínua de valor. 

Embora os desenvolvedores tenham criado o Scrum originalmente para gerenciar projetos de software, você pode aplicá-lo a qualquer tipo de projeto complexo que se beneficie de uma abordagem iterativa e incremental.

Dessa forma, os setores que não são de tecnologia, as equipes podem adaptar os papéis do Scrum para se adequar ao contexto.

Por exemplo, o ‘Product Owner’ pode ser o líder do projeto ou a pessoa que tem a visão mais clara do resultado desejado. A ‘Equipe de Desenvolvimento’ pode ser a equipe que trabalha no projeto, independentemente de estarem desenvolvendo software ou não.

Um exemplo disso pode ser uma empresa de marketing que está planejando uma grande campanha publicitária. O ‘Product Owner’ poderia ser o Diretor de Marketing, que tem a visão geral da campanha e pode definir as prioridades. 

A ‘Equipe de Desenvolvimento’ seria a equipe de marketing, que estará trabalhando para criar os diferentes elementos da campanha. 

Os ‘Sprints’ são períodos de trabalho focados, durante os quais a equipe cria e revisa certos elementos da campanha.

A equipe ainda usa as reuniões diárias de Scrum, ou ‘stand-ups’, para sincronizar o trabalho e identificar quaisquer obstáculos. Dessa forma, as ferramentas de gerenciamento de projetos ainda acompanham o progresso e facilitam a comunicação.

Desta forma, a essência do Scrum – colaboração, adaptabilidade e entrega iterativa de valor – se aplica em qualquer setor.

Cerimônias Scrum

Antes de entender como aplicar o Scrum na prática, é preciso entender alguns termos e momentos importantes do processo. As cerimônias Scrum são eventos estruturados que promovem a colaboração, a transparência e a inspeção contínua:

  1. Sprint Planning: Reunião realizada no início de cada sprint para definir o objetivo do sprint e selecionar itens do Product Backlog para serem trabalhados. A equipe planeja como transformar esses itens em um incremento de produto “Pronto”.
  2. Daily Scrum: Reuniões diárias e curtas (geralmente 15 minutos) onde a equipe sincroniza atividades e planeja o trabalho do dia. Dessa forma, os membros compartilham o que fizeram no dia anterior, o que farão no dia atual e discutem impedimentos.
  3. Sprint Review: Realizada no final do sprint, esta cerimônia permite que a equipe apresente o trabalho concluído aos stakeholders e receba feedback. Ou seja, é uma oportunidade para inspecionar o incremento e adaptar o Product Backlog conforme necessário.
  4. Sprint Retrospective: Reunião após o Sprint Review, focada na análise do processo de trabalho e na identificação de melhorias. Por fim, a equipe discute o que funcionou bem, o que pode ser melhorado e desenvolve um plano para implementar as mudanças.

Você entenderá melhor a aplicação dessas cerimônias do capítulo abaixo, aplicando o Scrum na prática.

Passo a passo para aplicar o Scrum na gestão

1. Visão total do projeto

O primeiro passo é ter uma visão clara do que se espera do projeto. O Product Owner, ou dono do projeto, é quem vai definir os objetivos e as funcionalidades necessárias. Ou seja, pense nele como o capitão do time, que sabe exatamente onde quer chegar.

2. Divisão das funcionalidades

Aqui, o Product Owner cria uma lista de todas as funcionalidades do projeto, conhecida como Product Backlog. É como fazer uma lista de compras antes de ir ao supermercado, só que para um projeto.

3. Definição de prioridades

Nem tudo pode ser feito ao mesmo tempo, certo? Por isso, é crucial definir quais funcionalidades são mais importantes e devem ser realizadas primeiro. O Product Owner faz essa escolha com base no valor que cada item agrega ao projeto.

4. Divisão em ciclos (Sprints)

Agora é hora de dividir o projeto em ciclos menores, os famosos sprints. Cada sprint tem um conjunto de tarefas que devem ser concluídas dentro de um período específico. É como se cada sprint fosse um episódio de uma série, com começo, meio e fim.

5. Início dos ciclos

Com os sprints definidos, a equipe se reúne para planejar as tarefas de cada ciclo na Sprint Planning Meeting. Por fim, é só colocar a mão na massa. Durante o sprint, a equipe faz reuniões diárias, chamadas de Daily Scrum, para alinhar o progresso e resolver possíveis obstáculos.

6. Revisão dos ciclos

A equipe se reúne ao final de cada sprint para revisar o que fez e validar as funcionalidades. Essa reunião, chamada de Sprint Retrospective, é crucial para identificar o que funcionou bem e o que pode ser melhorado.

Por que Scrum é tão importante?

A metodologia Scrum não é apenas uma moda passageira; ela veio para ficar. Além de aumentar a produtividade e reduzir custos, o Scrum promove a integração da equipe, estimula a criatividade e melhora a comunicação. Por exemplo, imagine um time onde todos sabem exatamente o que fazer e têm a liberdade para inovar. É como um sonho, não é? Entenda mais a fundo:

Flexibilidade

O Scrum é altamente adaptável, permitindo que as equipes respondam rapidamente às mudanças. Sendo assim, essa característica é crucial em mercados voláteis e em constante evolução.

Eficiência

Ao dividir projetos em sprints, as equipes podem focar em pequenos conjuntos de tarefas, resultando em execução mais rápida e eficiente. Dessa forma, a revisão e o feedback contínuos ajudam a identificar e corrigir problemas mais cedo, economizando tempo e recursos.

Colaboração e comunicação

O Scrum promove a colaboração e a comunicação dentro das equipes. Dessa forma, as reuniões diárias mantêm todos informados sobre o progresso do projeto e permitem a resolução rápida de questões, facilitando a rotina.

Inovação

O Scrum encoraja a experimentação e a iteração, permitindo que as equipes tentem novas ideias e aprendam com seus erros. Sendo assim, isso pode levar a soluções mais criativas e eficazes.

Adoção Global

O Scrum é uma ferramenta valiosa para qualquer organização que deseje melhorar sua eficiência, adaptabilidade, colaboração e inovação. Por isso, sua adoção está crescendo globalmente no mercado corporativo e, atualmente, ter experiência com esse método já é considerado um grande diferencial para empresas e profissionais.

Onde o Scrum é aplicável?

Embora tenha nascido no setor de tecnologia, o Scrum pode ser aplicado em praticamente qualquer área. Desde a atualização de bancos de dados do FBI até a produção de carros na Toyota, a metodologia já provou sua eficácia em diversos setores. 

Ou seja, se você tem um projeto complexo e quer torná-lo mais ágil e eficiente, o Scrum é a escolha certa.

Cases de sucesso com Scrum

Spotify

A Spotify adotou uma abordagem única ao Scrum, denominada ‘Scrum ágil em escala’. Eles usam ‘esquadrões’ (equivalentes a equipes Scrum),‘tribos’ (grupos de esquadrões) e ‘guildas’ (grupos com interesses comuns). Dessa forma, a estratégia permitiu à Spotify manter a agilidade mesmo durante seu rápido crescimento.

IBM

A IBM utilizou o Scrum no desenvolvimento de novos produtos de software, conseguindo reduzir o tempo de ciclo de desenvolvimento em cerca de 50%. Além disso, a empresa observou uma melhoria na satisfação do cliente.

SAP

A empresa alemã de software SAP implementou o Scrum no desenvolvimento de novos produtos. Então, a adoção do Scrum permitiu à SAP lançar atualizações de produtos mais rapidamente e com maior qualidade.

Microsoft

A Microsoft aplicou o Scrum no desenvolvimento do Bing. Em resumo, a equipe de desenvolvimento relatou que o Scrum contribuiu para aumentar a produtividade, melhorar o moral da equipe e reduzir o tempo de lançamento no mercado.

Adobe

A Adobe recorreu ao Scrum para desenvolver o Adobe Creative Cloud. A empresa relatou que o uso do Scrum permitiu-lhes disponibilizar novos recursos mais rapidamente e com maior qualidade.

Métricas e monitoramento

Por fim, você precisa aprender a medir os resultados do Scrum na prática. Métricas e monitoramento ajudam a equipe a acompanhar o progresso e a eficiência, garantindo a entrega contínua de valor:

  1. Burndown Chart: Um gráfico que mostra a quantidade de trabalho restante versus o tempo. Ele ajuda a monitorar o progresso do sprint e a prever se a equipe está no caminho certo para completar os itens do Sprint Backlog.
  2. Velocity: A quantidade de trabalho que a equipe completa em um sprint, medida em unidades como pontos de história ou horas. Sendo assim, a velocidade é usada para prever a capacidade da equipe em futuros sprints.
  3. Cumulative Flow Diagram (CFD): Um gráfico que mostra a quantidade de trabalho em diferentes estados (como a fazer, em progresso, e feito) ao longo do tempo. Dessa forma, ele ajuda a identificar gargalos e a entender o fluxo de trabalho.
  4. Sprint Review Feedback: Feedback recebido durante o Sprint Review, que pode ser usado para ajustar o Product Backlog e melhorar o produto continuamente.

Em resumo, essas métricas proporcionam insights valiosos, promovendo a melhoria contínua e garantindo que a equipe Scrum esteja sempre alinhada com os objetivos do projeto e as expectativas dos stakeholders.

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Formada em Jornalismo e pós-graduada em Assessoria de Imprensa, Gestão de Comunicação e Marketing, atua como coordenadora de marketing na Viasoft Korp.

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